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Caraíva

505 anos de descobrimento: a 6 km de Caraíva, fica a Aldeia de Barra Velha (índios pataxós), dentro da reserva que faz parte do Parque Nacional de Monte Pascoal, onde foi avistado o primeiro ponto de terra no Brasil, pela expedição de Cabral.
Caraíva é um mundo a parte, separado do continente pelo rio, com acesso através de canoas. Os carros não fazem parte da paisagem, ficam estacionados no outro lado do rio.
Estar em Caraíva é viver intensamente a natureza! Lindas praias intocadas em contraste com o verde da Mata Atlântica. Um povoado que desafia o turismo predatório e encanta com sua beleza quase primitiva!
A chegada à Caraíva é impactante. Descendo do ônibus ou carro particular, é hora de pegar as bagagens e entrar numa das charmosas canoas que fazem a travessia para a cidade. Paga-se de uma vez o percurso de ida e volta (R$ 5) e o visitante guarda para si o tíquete, que vai apresentar quando for embora.
Andando pela vila você encontrará uma pequena placa lembrando a você: “Calma, o sábio não se aborrece”
Vale a pena sacar a máquina e registrar o momento. À esquerda, bem no fundo, avista-se a Ponta da Barra,logo atrás do local que o mar se esconde. As margens, verde, muito verde. A frente, vê-se a cidadezinha charmosa com suas casinhas coloridas, coqueiros, árvores frondosas e alguns pequenos barcos, que fazem a primeira foto da viagem se transformar em um cartão postal digno de porta retrato.
Com os pés em terra, literalmente, pois a cidade não tem ruas calçadas, é toda de areia, é hora de caminhar em direção à pousada ou ao camping. Os que estão viajando com bolsas muito pesadas, convém negociar com os carroceiros que ficam bem perto do porto.
Depois de deixar a bagagem, vista o traje que o acompanhará durante todos os dias: roupa de banho, bermuda, short ou saia, blusa e chinelos (de preferência, com o solado mais grosso, pois a areia costuma esquentar bastante e o calor passa para os pés). E a máquina de fotografar, claro. Você irá se arrepender se não fizer dela sua companheira fiel. A cada passeio pelas praias, a cada caminhada pela rua que acompanha o rio, a cada momento com os amigos na mesa do bar ou no contato com as crianças e índios, a cidade se revela cada vez mais bonita e charmosa.
Se o primeiro desejo a ser satisfeito for mergulhar nas águas límpidas do Rio Caraíva, o melhor lugar para isso é a Ponta da Barra, onde rio e mar se encontram. Ali pertinho, outro ponto turístico: o Boteco do Pará, que merece um registro especial por estar localizado em um lugar privilegiado, de onde avista-se um lindo pôr-do-sol. O lugar também é conhecido por "Ponto dos Mentirosos", referência às histórias de pescador.
O primeiro mergulho na água "agridoce" não deixa dúvidas de que Caraíva é única. Na maioria das vezes manso, às vezes puxando para o mar, o Rio Caraíva permite que se atravesse andando de um lado para o outro ou, caso o pé não alcance o fundo, mais cedo ou mais tarde surge um banco de areia, bem lá no meio das águas. Um convite à criança que existe dentro de cada um. Ficar lá no meio já é, por si só, uma grande brincadeira.
A praia que tem o mesmo nome da vila também é estonteante. Aproximadamente dois quilômetros de areia fina e clara e uma água cristalina. O mar é ótimo para mergulhos e esportes à vela. Para quem preza um pouco de solidão saudável, dependendo da hora é possível tê-la apenas para si, um deleite egoísta, mas perfeitamente perdoável. As índias com suas muitas crianças não tardam a aparecer oferecendo colares, muitos de uma combinação de sementes e cores de extremo bom gosto, pendurados em seus braços. Ótima opção para presentear.
Há somente dois telefones públicos e não há sinal para celulares comuns. Moradores e comércio local usam apenas celulares rurais. Caso seja necessário acessar a internet, você encontra um pequeno cyber com banda larga no bar Ouriço, em frente ao porto de chegada.
O vilarejo tem posto de saúde, delegacia, biblioteca e escola municipal. Andando pela vila você encontrará uma pequena placa lembrando a você: “Calma, o sábio não se aborrece”. Se o passo e a cabeça ainda estavam acelerados, o jeito é respirar fundo e agradecer os inúmeros momentos de paz que a cidade oferece. Claro que durante a alta temporada, o tráfego do grande número de turistas pelas ruas, restaurantes, mercadinhos e bares traz para Caraíva outros sons e uma outra rotina, mas nada que transforme o lugar nem um balneário badalado. Ostentação não combina com a vila.
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