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Los Pirpintos – Taco Pozo (134 km)
Aqui começo minha terceira semana na Argentina, acordando num quartinho tão pequeno que a bicicleta teve que ficar em parte no banheiro. O único problema é que eu não conseguia entrar no banheiro, mas para tudo se dá um jeito, até para a minha sinusite, que está custando a curar
Quando limpo meu nariz, para tirar o execesso de catarro, sai mais sangue que catarro, mas logo mais isso vai passar e meu nariz vai estar novo e eu poderei respirar o ar puro dos campos. A minha maior dificuldade está sendo toda está região do Chaco, que é mais seca que o sertão nordestino. Começou em Pampa del Infierno, está aqui e pelo visto seguirá até Taco Pozo assim. Depois entro em outra Provincia, a de Salta, e clima parace que muda um pouco.
Tirei a bike do banheiro e fui embora pela estrada, que por estes lado está em condições precárias. Tem mais buraco que asfalto. Pelo menos estou de bicicleta e dá para pedalar sem muita dificuldade por entre uma cratera e outra. Nessa pista eu pedalei por várias horas, até chegar à uma cidade chamada Monte Quemado, que pelo o que vi não era nem um pouco diferente das outras por onde eu havia já passado: terra, terra e um pouco de vento para levantar a terra do chão.
Por um instante pensei em ficar por alí mesmo e só no dia seguinte pedalar até Taco Pozo, que segundo os habitantes da região era maior que as outras cidades, tinha até internet segundo eles. Na hora, já não aguentando mais este agreste eu resolvi pedalar um pouco mais e chegar na cidade grande.Para ser sincero não era um simples vento, era uma rajada de vento que faz a terra levantar do chão e caminhar como uma onda até onde você está
Quando cheguei em Taco Pozo as coisas mudaram! Parecia que estava dentro de um filme. Só que do filme Mad Max. Só faltou a Tina Turner aqui para me colocar numa gaiola. Taco Pozo é a mesma coisa que as outras cidades do caminho: terra, terra seca e aqui há muito mais vento para jogar a terra na cara das pessoas. Para ser sincero não era um simples vento, era uma rajada de vento que faz a terra levantar do chão e caminhar como uma onda até onde você está.

Quando fui pedir informações, pra piorar encontrei uns ciganos, que além de não me darem nenhuma das informações que eu queria, me perguntaram um monte de coisas e ainda ficaram querendo ler minha mão “para dar sorte”. Sorte seria se aquela cigana sumisse da minha frente e levasse toda aquela terra dentro da sua barraca para longe daqui.
Logo depois que eu encontrei o caminho do centro e cheguei até a prefeitura para pedir um lugar para ficar, foi isto que descobri: GUERRA NO BRASIL!! O NARCOTRÁFICO TOMOU CONTA. Não entendi muito bem quando me falaram. Do que poderiam estar falando? Relevei e continuei na minha busca por um lugarzinho para ficar. Acabei ficando numa hospedagem mesmo, pois já tinhas plano de descansar aqui por um dia.
Depois que me instalei, lavei minha roupa e tomei um banho fui até a Lan House da cidade. Quando abri a primeira página dei de cara com a notícia que o PCC havia causado pânico na cidade de São Paulo.
Depois ainda li alguns e-mails de pessoas que me falavam sobre o incidente, inclusive de que algumas pessoas haviam deixado de ir para a aula por causa disso, enfim diversas conseqüências para o ocorrido. Me senti seguro em estar fora do Brasil, mas ao mesmo tempo com vergonha.
A vergonha vem do fato de todos os noticiários daqui colocarem essa notícia em primeiro lugar e tratar ela de forma sensacionalista, dando uma notícia, creio eu, parcial. De acordo com os jornais daqui tenho a impressão de que o Brasil todo está em guerra e quem está ganhando são os traficantes. Bem, talvez eles não estejam tão errados assim.
A única coisa que percebi é que estando fora do país dá pra ter uma noção melhor de como está a situação do Brasil. Preta. Não é a tôa que os turistas estão cada vez fugindo de roteiros que incluam o Brasil e que o Brasil não consegue sediar uma Copa do Mundo ou Olimpíadas. Coitado dos atletas. A conclusão que chego é que se o Brasil não tomar uma medida urgente e bem séria em relação ao crime e situação só irá piorar ainda mais.
Passei até agora por locais extremamente pobres, mas em nenhum deles a criminalidade era como a brasileira e, principalmente, não tinham a desigualdade que há no Brasil, que chega a ser, na minha opinião, uma falta de respeito com o ser humano.
Depois dessas notícias, quando eu falo que sou de São Paulo já imponho respeito, porque já sabem, se olharem torto eu mato merrrrmo!!! Aqui não precisei matar ninguém, pois as pessoas são muito simpáticas e mais quentes, assim como o clima aqui.
Para conhecer mais sobre o trabalho de pedal da estrada acesse: www.pedalnaestrada.com.br
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