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"Sunshine Coast, que roubada.." - Parte dois

Banana, pão, queijo, manteiga já tínhamos, dessa vez compramos uma Pepsi e um pacote de salsicha fria, que segundo o Alemão iria ajuda a dar sustância na refeição. Para economizar resolvemos dormir mais uma noite no carro, paramos ao lado de uma van , o casal dono da mesma parecia ter parado no tempo, por volta de 1970. Já na terça - feira, acordamos às 6h30, achamos um mirante que devido à nevoa não se via nada, por volta das oito da manhã já estávamos em frente a praia, sem ter nada para fazer, um frio cortante, todas as roupas no corpo, ondas zero. A essa altura da viagem só falávamos o essencial um com o outro, e dividíamos nossas esperanças que o tempo iria melhorar logo.
O que salvou o dia foi quando no estacionamento, por volta das 10h da manhã tivemos a visita surpresa de um Koala, ele surgiu do nada, perdido. Alertados por outro turista nos apressamos a tirar dezenas de fotos do evento do dia. Forçamos um surf naquele dia de manhã, nada demais, ainda tomei um tombo tentando entrar pelas pedras. O resto do dia repetiu os passados, chegamos a um ponto de não ter nada para fazer que compramos duas revistas de surf iguais e cada um ficou lendo a sua dentro do carro, enquanto chovia. Mais uma noite no carro, aquela noite aconteceu um dos eventos mais engraçados da viagem. No meio da noite, dormindo em frente a um hotel, eu vi um poste de luz, daqueles com luz de neblina, amarelado e por um segundo, sem saber que horas eram, pensei que fosse o sol nascendo. Não deu outra acordei o Alemão, que não tava entendendo nada, liguei o carro e rasguei pra praia, que ficava a uns 400 metros, lá percebemos que ainda eram 4h da manhã e que não se via um metro a nossa frente devido à escuridão, caímos na real que estávamos perdendo a racionalidade. Dormimos sem entender nada que aconteceu naquela noite, e demos muitas risadas no outro dia com o evento sem pé nem cabeça.
Cansamos, o sol não ia sair enquanto ficássemos em Nossa, não havia santo que mudasse isso. As ondas entraram e para não mudar o tom da história, agora estavam grande demais, toda torta, sem condições alguma de surf. Vamos embora. Porém segundo nossos planos ainda tínhamos três dias de carro alugado. O Alemão deu a dica, vamos voltar sentido Gold Coast atrás de algumas ondas e depois vamos ate Ninbim, a capital alternativa da Austrália (Já vou explicar isso melhor). Topei, já não tinha vontade de discutir mais. Não preciso dizer que depois de duas horas de estrada o sol apareceu, forte, trazendo cor e vida para os lugares. Nessa hora carregamos o cartão da maquina, afinal tínhamos ido para a Sunhine Coast, queríamos ter umas fotos de sol desse lugar. Como a volta sempre parece mais rápida que a ida, por volta das 15h já estávamos perto da GC, decidimos ir à Ninbim naquele dia, lugar que nenhum dos dois conhecia.
A história de Ninbim é bem diferente, depois do festival de musica alternativa de 1973 sediada na cidade, que naquela época conseguia ser menor do que é atualmente, algumas pessoas resolveram ficar por lá mesmo, no estilo Woodstock, e com o tempo foram se estabelecendo pela região. No decorrer dos anos, a cidade criou uma cultura em torno da maconha, com direito a olimpíadas anuais, festivais, lojas de livre comércio da erva entre outros estabelecimentos. Eu nunca entendi por que a policia faz vista grossa para essa cidade, já que o tráfico de maconha é proibida por lei na Austrália. Acabou que nos anos que morei na Austrália, acabei não conhecendo a tal cidade.
Passamos batido pela Gold Coast sentido sul, em direção a Ninbim, pegamos algumas estradas rurais com a intenção de cortar caminho e o que conseguimos foi um monte de água empoçada, o dia escurecendo e a gasolina acabando. Me lembro bem de dizer para o Alemão se segurar que eu não queria ficar no meio daquelas cidades fantasmas, sem dinheiro e sem gasolina. Por volta das 17h paramos em um posto para pedir informação, ainda ouço o frentista do posto dizendo “It is all flooded, no way to go there.” (esta tudo alagado, não tem jeito de ir para lá). Detalhe já estávamos 4 dias sem tomar banho. Pensamos, vamos para Cabarita que ficava uns 15 minutos dali, surfaríamos na região na manha do dia seguinte e depois pensaríamos no que fazer. Uma coisa que tenho que compartilhar com vocês é, com exceção de umas três ou quatro cidades na Austrália inteira, as demais, param, literalmente por volta das 19h. Depois desse horário, com sorte você acha um posto de gasolina com uma loja de conveniência aberta. Em Cabarita não achamos nem um posto aberto e isso foi a gota d’água para entender que a viagem tinha que chegar ao fim.
DESISTIMOS!
Não tinha mais nada a ser feito, estávamos a menos de 1 hora de viagem de casa, precisávamos de um posto de gasolina e de comida, e por lá não havia nada disso. Não comentei mais, mas a chuva continuava depois daquele lapso solar. Ouvimos tanto um CD do Beatles no decorrer da viagem que por alguns instantes eu jurava saber mais musicas do que meu pai. Chega. Queria ir pra casa, queria tomar banho, queria surfar, sol, tudo que fomos procurar estava ali bem onde morávamos. Nem preciso dizer o que aconteceu no dia seguinte.
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